5. Manejo de Irrigação
O manejo de irrigação é uma técnica que busca suprir a necessidade hídrica da cultura na medida certa, sem déficit e nem excesso para se ter uma boa produtividade.
Atualmente, uma das grandes preocupações dos produtores é quanto ao gasto de energia e consequentemente a quantidade de água para produzir determinada cultura, pois esses dois insumos são o mais importante e o que mais encarece no bolso do produtor.
Com implantação de um programa de manejo de irrigação, o produtor terá a sua disposição tecnologia de ponta e operacionalidade, além disso, terá aumento da produtividade e utilização adequada da água e energia, não promovendo percolação profunda, lixiviação de produtos químicos e contaminação
do lençol freático.
5.1. Como fazer o manejo de irrigação:
Existem diferentes métodos de manejo de irrigação, sendo os mais utilizados aqueles baseados no solo, dados climáticos (atmosféricas) e condições da própria planta. E ainda se podem fazer combinações entre esses. Em todo manejo de irrigação, o importante é determinar quando e quanto de água aplicar.
Iremos estudar cada um isoladamente.
5.1.1. Manejo de Irrigação baseado nas condições de Solo:
O controle da irrigação via solo passa necessariamente pelo conhecimento de suas características. Veja as mais importantes:
- Água total disponível (ATD) ou Disponibilidade Total de Água (DTA) – é considerada uma característica importante no manejo da irrigação, pois se refere à água presente no solo entre a sua capacidade de campo (CC) e o seu ponto de murcha permanente (PMP).
- Capacidade de campo (CC) – é a quantidade de água que permanece retida no solo após ter cessado uma drenagem num solo que foi submetido a uma saturação por chuva ou irrigação.
- Ponto de murcha permanente (PMP) – é usado para representar a umidade abaixo do qual a planta não consegue se restabelecer, ou seja, a planta não consegue retirar a água, ocasionando a morte por secamento.
Como você pode verificar no esquema a seguir, no solo podemos encontrar os poros de tamanhos pequenos (microporos) e grandes (macroporos). Quanto maior for a quantidade de microporos, maior será a capacidade desse solo em armazenar água. Dessa quantidade, a parte absorvida pela planta é chamada de capacidade de água disponível (CAD) ou capacidade de real de água (CRA), que é definida por dois limites de umidade – um superior, chamado de capacidade de campo (CC), e um inferior, denominado de ponto de murcha permanente (PMP). Se o teor de umidade estiver acima da (CC) isso indicará que o solo se encontra saturado. Essa é uma informação importante quando se deseja manejar a irrigação via solo.
É um método que utiliza como base o conteúdo de água retido no solo em determinada tensão na qual é característica específica de cada solo. Essa tensão está diretamente relacionada ao teor de umidade do solo. Por esse motivo, é extremamente importante determinar a curva de retenção de água do solo para o estudo da relação solo – água. Essa curva pode ser determinada através do envio de amostras de solo a Laboratórios de Física de Solos.
O manejo da irrigação com base na curva de retenção é feito de uma forma simples e prática. Cada cultura tem seu próprio potencial de água ou umidade limite, ou seja, uma condição que não prejudique seu desenvolvimento. Para entendermos melhor vamos exemplificar com a alface que possui tensão de água no solo para o momento de se irrigar de 40 a 60 kPa. Essa tensão pode ser determinada em campo através de equipamentos específicos.
Os tensiômetros devem ser instalados no ponto onde se deseja fazer a medição geralmente próxima à planta.
O princípio de funcionamento do tensiômetro diz que a sua água se deslocará para o solo (quando esse não estiver saturado), devido ao fato de o potencial hídrico dele ser superior ao do solo e quando o solo estiver saturado acontecendo o inverso. Após algum tempo, ocorrerá o equilíbrio e, nesse momento, será verificado na leitura o valor que significará o potencial hídrico do solo.
Quando a leitura registrar “zero”, estará indicando uma condição de saturação do solo, e quanto mais seco ele estiver, maior será o valor da leitura.
5.1.3. Processos baseados em condições atmosféricas:
O manejo de irrigação com base em dados climáticos tem como principal objetivo determinar a evapotranspiração da cultura (ETc). De uma maneira bem simples, a evapotranspiração da cultura (ETc) corresponde à água transferida para atmosfera através da evaporação do solo e da transpiração das plantas.
Segundo Borges & Mediondo (2007), evapotranspiração de referência (ETo) é o processo de perda de água para a atmosfera por meio de uma superfície padrão gramada, cobrindo a superfície do solo e sem restrição de umidade. Uma maneira bastante prática e barata de se estimar a ETo é através do Tanque Classe A.
O Tanque Classe A consiste de um tanque circular de aço inoxidável ou de ferro galvanizado com 121 cm de diâmetro e 25,5 cm de profundidade, instalado sobre um estrado de madeira de 15 cm de altura da superfície do solo. O tanque é cheio de água até que fique 5 cm da borda superior. O nível da água não deve baixar mais que 7,5 cm da borda superior. As medições são feitas no num poço tranquilizador, cujo centro possui um parafuso micrométrico de gancho com capacidade para medir variações de 0,01mm.
Com as leituras diárias, ainda não temos a evapotranspiração, portanto, torna-se necessária a conversão da evaporação do Tanque Classe A para evapotranspiração de referência (ETo), que pode ser calculada pela expressão:
ETo = ECA x Kp
Onde:
ECA = Evaporação do Tanque Classe A, em mm/dia;
Kp = coeficiente de Tanque.
O coeficiente do Tanque Classe A (Kp) depende da velocidade do vento, da umidade relativa e do tamanho da bordadura formada por grama-batatais plantada em volta do Tanque Classe A.
Confira a seguir, a tabela contendo o coeficiente de Tanque Classe A (Kp), em função da bordadura, da umidade relativa do ar e da velocidade do vento.
Diante do contexto visto, o que interessa realmente é a evapotranspiração da cultura, ou seja, devemos repor a água que foi consumida pela cultura. Assim, a evapotranspiração da cultura é obtida multiplicando-se a evapotranspiração de referência pelo coeficiente de cultura (Kc).
ETc = ETo x Kc
Onde o valor de Kc é função da variedade, do local, das condições de manejo e do estádio de desenvolvimento da planta. O ciclo da cultura é dividido em fases fenológicas e cada fase assume valores distintos de Kc. Observe, a seguir, um exemplo do comportamento do valor de Kc conforme o estágio de desenvolvimento do feijão caupi.
Os valores de Kc variam:
• de cultura para cultura;
• numa mesma cultura, durante as diferentes fases de desenvolvimento;
• de acordo com a evapotranspiração da região.
5.1.3.1. Estações meteorológicas:
Uma estação meteorológica é um local onde são efetuadas análises do tempo meteorológico por meio de instrumentos específicos, utilizadas para a previsão do tempo.
O manejo de irrigação com base em dados fornecidos pelas estações meteorológicas tem despertado interesse por partes dos produtores. A comodidade é muito atrativa, pois a estação fornece dados de temperatura, umidade relativa, velocidade do vento, direção do vento, pluviosidade entre outros.
Dependendo da programação dos sistemas de aquisição de dados da estação, o produtor através de planilhas eletrônicas terá condições de estimar a evapotranspiração da cultura. Nesse caso, o produtor só irá repor a lâmina de água correspondente à evapotranspiração da cultura, isso poderá ser feito em tempo real.
5.1.3.2. Construindo uma planilha de manejo com auxílio da estação meteorológica:
Agora você vai estudar como se faz uma planilha de manejo, passo a passo. Observe a tabela a seguir (Planilha para manejo de irrigação de culturas):1. A ETo (evapotranspiração de referência, medida em milímetros) e a Pe (precipitação, em milímetros) são coletadas na estação meteorológica, o Kc é adquirido por fase da cultura e o Kr é o coeficiente de redução que pode ser por fase da cultura.
2. Para calcular a ETc, multiplica-se a ETo pelo Kc (ETc = ETo x Kc).
3. Para determinar a LL (mm), Lâmina Líquida, multiplica-se a ETo pelo Kc e pelo Kr (LL = ETo x Kc x Kr).
4. Para determinar o volume de água aplicado (L/por/dia): (V = L x 10).
5. O tempo de irrigação(h): (Ti = V x Kr / 3 x 4).
6. O volume total aplicado (L): (VT = Ti x 3 x4).
5.1.4. Manejo Baseado nas Condições da Planta:
As condições hídricas de uma planta são variáveis, pois podem haver alterações com relação à água disponível no solo, condições atmosféricas e estádio de desenvolvimento da planta. O potencial hídrico pode ser uma ferramenta importante para se avaliar déficit de água durante todo o ciclo da cultura.
O único sistema prático e de qualidade, disponível para estimar a tensão de água nas paredes celulares das plantas, no campo, é a câmara de Scholander. Nela, o valor das tensões determinadas nos permitirá saber se a planta possui umidade ou se estar em estresse hídrico. Essa informação é importante, pois nos indicará o momento de irrigar.
Ao longo do dia, esse método é sensível à detecção dos efeitos edafoclimáticos na condição hídrica da planta. Por isso tem que se evitar fazer a leitura em horários em que a temperatura é elevada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- BERNARDO, S; MANTOVANI, E.C.; SILVA, D.D.; e SOARES, A.A. Manual de Irrigação. 9.ed. Viçosa: Editora UFV,2019. 545p.
- FERREIRA, Valber Mendes. Irrigação e Drenagem. Floriano/PI: EDUFPI, 2011. 126 p. (Técnico em Agropecuária).
- MANTOVANI, Everardo Chartuni; BERNARDO, Salassier; PALARETTI, Luiz Fabiano. Irrigação: Princípios e Métodos. 3ª ed. atual. Viçosa/MG: Ed. UFV, 2009. 355p.













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